A história por trás da Dani Karsten
As raízes
Minha trajetória começou pela minha mãe, cabeleireira há muitos anos. Cresci acompanhando ela pequena, vendo como se fazia permanente, como se enrolava e cortava cabelo à mão, do jeito que se fazia naquela época. Mas, sinceramente, aquilo não era o que eu queria pra minha vida — eu queria algo diferente.
Retomando os estudos
As crenças da minha mãe eram diferentes das de hoje, e isso fez com que eu saísse da escola ainda na sexta série. Quando completei 18 anos, decidi colocar meus estudos em dia: terminei a oitava série e fiz o EJA, uma intensiva de segundo grau, pensando em um dia cursar uma faculdade.
A virada
Foi nesse caminho que comecei a me apaixonar pela profissão que exerço até hoje. Passei a viajar para São Paulo, para feiras do setor, só pra entender se aquilo era realmente o que eu queria. Foi assim que surgiu a oportunidade no Senac — um curso técnico de quase dois anos. Eu trabalhava de manhã e estudava todas as tardes, sem folga. Como já tinha estudado bastante antes, consegui pular etapas e concluir em um ano e meio. E não foi como muitos cursos rápidos de hoje, que formam profissionais em três meses sem prepará-los de verdade: no Senac foram muitos meses de teoria, seguidos de prática intensiva, todos os dias.
O intensivo que mudou tudo
Não satisfeita, decidi sair do meu emprego pra usar meus direitos e abrir meu próprio salão — o mesmo que tenho até hoje, que comecei com uma equipe. Mas ainda queria mais: fiz um técnico intensivo de três semanas em São Paulo, um dos períodos mais puxados da minha vida. Estudava desde cedo, com meia hora de almoço, até de noite — e no dia seguinte já tinha prova sobre o conteúdo do dia anterior. Estudei até de madrugada, várias vezes. Ao lado de profissionais que já tinham anos de carreira e vinham de grandes centros, eu, do interior, me senti uma formiguinha entre leões. Mas, aos poucos, fui crescendo — e terminei o curso com louvor, recebendo elogios emocionados dos professores por ter estudado tanto naquelas três semanas.
Minha equipe
A Tânia faz parte da minha trajetória desde o começo. Quando montei minha primeira equipe, ela já tinha mais experiência na área do que eu — foi ela, ao lado da minha mãe, que me ajudou nos primeiros passos. Enquanto minha mãe trazia técnicas mais antigas, a Tânia me mostrava um jeito mais moderno de trabalhar, e aprendi muito com ela também. Depois de um tempo longe, ela voltou a fazer parte da equipe — e trouxe de volta uma alegria enorme pro nosso dia a dia.
Aprendizado contínuo
Esse foi um marco importante pra mim — porque erro a gente sempre vai cometer, e é aprendendo com os clientes e com os próprios erros que a gente evolui, em qualquer profissão. Ao longo dos anos, continuei estudando com profissionais renomados, formados na Europa, na França, e com técnicas russas trazidas por quem estudou na Rússia. Fiz questão de aprender com cada um deles pra me tornar a profissional que sou hoje.
O orgulho de formar profissionais
Ao longo desses mais de 20 anos, formei várias pessoas dentro do meu salão — recepcionistas, assistentes, manicures, cabeleireiras. Muitas começaram do zero comigo e hoje são ótimas profissionais, algumas com estúdio próprio. Teve uma que ficou nove anos ao meu lado, e eu ensinei a ela tudo que eu sabia. Quando ela decidiu seguir carreira sozinha, confesso que fiquei um pouco chateada no início — foram nove anos de dedicação. Mas hoje sinto um orgulho enorme por ver o que ela se tornou. Nunca tive a chance de dizer isso a ela, mas quero: obrigada por ter caminhado comigo, e parabéns por tudo que você construiu.
Hoje
Não me considero perfeita — tem muito ainda pra aprender. Mas me sinto preparada pra muita coisa. Pra mim, ser um bom profissional é isso: estudar sempre, acompanhar as tendências, buscar a perfeição sabendo que talvez nunca vamos alcançá-la — mas correr atrás dela todos os dias.